Um olhar sobre a obra ADMIRÁVEL MUNDO NOVO de Aldous Huxley

A Sociedade do Espetáculo

 

Finalmente chegamos à Sociedade Admirável. Menos de 90 anos de publicação do Ensaio Científico de Aldous Huxley “Admirável Mundo Novo”. A multiplicidade e a diversidade de cultura são a estrela do momento. “Pouco se fala da fundamental igualdade do ser humano, no que se refere às suas necessidades básicas”. Para nós cidadãos do século XXI a valorização está nas identidades plurais de gêneros, etnias, padrões linguísticos das sociedades culturais e até pensamos “na necessidade de preparar professores para lidar com elas”.

 

Mas qual seria o propósito da Educação? Qual é o maior fenômeno que vem ocorrendo no mundo contemporâneo?

Dando vista a uma pincelada em nossos textos de Princípios e Fundamentos dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), em nossa sociedade democrática que tem por paradoxo, ao contrário dos textos a que pertencem a regimes militares, a educação sem imposição com proposta educativa de qualidade, de modo a considerar a atual realidade e diversidade cultural para o pleno exercício da cidadania, passando pelo domínio da fala e escrita, da reflexão matemática, as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo, e etc. Todos esses ensinos e princípios imbuem  a discussão sobre a dignidade humana, a igualdade de direitos, a recusa a qualquer natureza de  discriminação, a importância da solidariedade e do respeito. Cabendo a cada grupo educacional dar auxílio ao aluno nessas pragmáticas de modo que ele esteja apto a vivenciar as diferentes formas de inserção sociopolítico e cultura. A inserção passa pelo cuidado com o corpo, pela educação sexual e também a preservação do ambiente. Aqui estamos diante da nova realidade para Educação do Brasil, em um país democrata.

Contudo, é assertivo dizer que a educação propõe à transformação da sociedade, ao desenvolvimento de suas potencialidades, ao seu crescimento moral e à sua humanização. Mas tal efeito de aceitação pacífica acontece conosco, em nossos usos e costumes para o alvo da homogeneização cultural, por esse novo hábito de aclamar pela multiplicidade e diversidade cultural. Segundo Tomás Tadeu da Silva, tornou-se comum destacar a diversidade das formas culturais do mundo contemporâneo. É um fato paradoxal, entretanto que essa suporta diversidade conviva com fenômenos igualdades surpreendentes de homogeneização cultural. Ao mesmo tempo em que se tornam visíveis manifestações e expressões culturais de grupos dominados, observa-se o predomínio de formas culturais produzidas pelos meios de comunicação de massa, nas quais aparecem…”

Em igual tempo que lutamos pela aceitação da diferença cultural, a mídia (meio de comunicação social) impõe fortemente com suas programações a técnica de massificação para homogeneização cultural em propósito para atingir, talvez, as ideologias políticas. “A mídia não só diz o que existe e, consequentemente, o que não existe, por não ser vinculada, mas dá uma conotação valorativa de que algo é bom e verdadeiro, à realidade existente. E agora que estamos diante do maior perigo, pois é nessa instância que são criados e legitimados valores. E são valores que nos impulsionam a agir. “(Gareschi e Biz)

“Aspectos que se aproximam e se distanciam da Atual Sociedade  com a obra Admirável mundo Novo”

Em destaque ao diagnóstico “Admirável Mundo Novo”, Huxley teceu a visão real da sociedade dos anos 1920 e 1930, e não só isso, mas também a visão futurística como afirmou em datas proféticas: “As profecias feitas em 1931 estão para realizar-se muito depressa do que eu calculava”. Ou seja, as fórmulas e técnicas de lavagem cerebral e comportamental previstas no século VII d.f (depois de Ford), já estavam prontas para o uso da segunda metade do século XX. Porém, transcorrido mais de meio século, avançamos profundamente na aplicação rotineira em escala mundial, contudo, ainda não igualitária.

Sobre a égide do Estado Mundial: “Comunidade, Identidade e Estabilidade”.  O que nos remete essa tríade? A SOCIEDADE ESPETACULAR (menção a Guy Debord)  é concebida não mais de forma natural, as pessoas agora são “produzidas” em massas dentro de laboratórios distintas em castas, desenvolvidas por meio do mesmo Processo Bokanovsky que acontece no livro.  Qual é o Propósito?  A estabilidade social. Na obra, a produção acontece em série através de um ser humano por meio de um único óvulo em que sejam fecundados 96 gêmeos para uma civilização em cuja ordem excessiva de controle de todos os homens sejam pré-condicionados biologicamente e condicionados psicologicamente em prol dessa estabilidade social e ostensivo desprezo à individualidade.

Na sociedade utópica todos são felizes, perfeitos, onde a paz reina plenamente sem sequer deixar espaço para dúvidas, conflitos e guerras. Com isso a servidão torna-se de fácil aceitação mediante a receita da felicidade quimicamente “comprovada” pelo “SOMA”, uma espécie de droga do futuro, cujas doutrinas e ideologias são propagandeadas em cursos noturnos durante o sono. Os relacionamentos conjugais e familiares são vistos com desprezo e sátiras.

A Literatura de fato por sua natureza de estudo da sociedade na obra de Huxley está intrinsecamente presente na combinação com a realidade do mundo durante esses noventa anos, em que evoluí em contínuo avanço tecnológico. Mais do que puramente ficção científica, pode ser olhada pela proximidade, com o que realmente acontece no século XXI e o que acontecia na sociedade do século anterior descrito naquela época, isto é, a teoria do fordismo do trabalho mais os regimes totalitários. Como visto, esse fenômeno nas massas regido por uma Ordem, abstêm a individualidade e garante o consenso.

Um dos aspectos do qual se aproxima da atual sociedade é o fascismo invisível com o fascismo na literatura clássica de Huxley, em cuja integridade percebe-se esse radicalismo, essa devoção à esta Nova Ordem, um etnocentrismo entre as castas e ideologias nacionalistas que  agridem e afastam psicologicamente àqueles que não concordam com essas ideias heréticas comum a este inconsciente coletivo junguiano que repudia a antiga monogamia e aceita a promiscuidade.  Nos tempos atuais acontece diferente? Não. Vemos cada vez mais a liberdade sexual, poucos registros de uniões matrimoniais e, quando há casamentos, são muito raros os que duram mais de cinco a sete anos. Estamos na era do “não sou de ninguém, eu sou todo mundo e todo mundo é meu também”, assim se passa igualmente na sociedade laboratorial e na sociedade contemporânea.

 

A inexistência da religião como obrigação na obra é ponto que afasta da atual sociedade democrática, pois ainda temos em nossos textos legais a liberdade de crença. Contudo, já sentimos o esfriamento de fé comparado a outros tempos. Estaríamos caminhando para um mundo, no qual a fé não existirá? Ou, quem sabe, pertenceremos a uma espécie de Religião Igualitária e Universal?

Quando o Ministro do Interior do Reich percebeu que a “educação para a tolerância” não deu certo, criaram-se uma câmara de radiodifusão própria. Então o rádio passou a ser visto como um veículo de comunicação novo que controlaria e divulgaria o ideal nazista em massa, com o qual alcançou o seu apogeu. No “Admirável Mundo Novo”, enquanto as pessoas dormiam doutrinas e ideologias eram “bombardeadas” em suas mentes, alcançando até os seus sonhos. Como se difundem hoje? Por meio da comunicação que estão bem presentes depois da invenção da televisão, da internet e, agora, mais do que nunca, permeiam nas redes sociais.

Mas, o canal de comunicação mais tendencioso são as emissoras de televisão que têm em seus horários estratégicos, alimentos ruins que adestram e condicionam as “castas inferiores”, pois os mais ricos em vitaminas, conhecidos como alimentos bons, distribuem-se nos horários em que a massa dorme. Ou ainda, liberam para os canais fechados.  Criam-se novelas, criam-se jornalismo de ideários-partidários para a massa, criam-se “a beleza para feio, a paz para violência, a verdade para mentira, a alegria para a tristeza”.

 

Ditam nossas necessidades para o consumo de produtos “líquidos”, por isso, tornamo-nos consumistas, pois são fabricados para quebrarem logo. Escolhem nossa literatura, arte e música.  A geração da droga tem o seu SOMA receitado em diversas drogas lícitas ou ilícitas. Fazemos uso de antidepressivos e de drogas que nos matem de câncer de vez.

Portanto, quanto mais inferior for a casta mais “porcaria” receberá. E claro, quanto a pedagogia educacional de nossas crianças ficou por conta do Estado, conforme acontece no livro, de fato não poderia ser diferente, um futuro garantido! Porque os pais não têm tempo para educar os seus filhos, mas o Estado tem tempo de sobra para “produzir” os novos homens e mulheres de amanhã.

Somos a Sociedade do Espetáculo, dirigida pela hipnopedia. O controle está em nossas mãos, porém não queremos controlá-lo. A Nova Ordem inverte os valores morais e éticos. Nós “ratinhos de laboratório” contribuímos passivamente para o avanço dos estudos da eugenia do controle social para o melhoramento ou enfraquecimento das qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mental. E o que fazemos? Permitimos.

 

Diana Conrado

 

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FONTES

http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/historico-veja/darwin-retrato-de-um-genio/

https://www.infopedia.pt/$eugenia

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http://www.infoescola.com/livros/admiravel-mundo-novo/

http://oreiluminsta-polimatico.blogspot.com.br/2011/05/o-admiravel-mundo-novo-e-sociedade.html

chrome-extension://oemmndcbldboiebfnladdacbdfmadadm/http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/socespetaculo.pdf

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