Do deslizamento do Morro para um dos grandes escritores do século XIX: Machado de Assis o gênio da escrita.

Aos quinze anos incompletos, do ano de 1854, o menino pobre, negro e epilético, conhecido como Machado de Assis, escorregou do Morro do Livramento, localizado ali na Cidade Carioca. Graças à Deus! O agente causador deste fenômeno não natural, de acordo com estudiosos, fora a sua mente genial para a escrita que ultrapassou a encosta dos poucos recursos de estudos, fatores de riscos para mim, para você e para todos nós brasileiros, com essa educação atual. Na época do Menino do Morro, as coisas também não eram boas que aliás nunca foram, má distribuição de renda, descaso com a educação e por aí vai.

Não precisa ser dotado de Inteligência para perceber que Assis tinha tudo para ficar ali, bem no alto da montanha, ou morrer com o deslizamento de terra causado por chuvas de verão, alguns lugares, pela operação dos maquinários, outros pelos vulcões. Mas não, teve o destino de ser até os tempos atuais um importante escritor brasileiro, que a todo tempo é aclamado pelos estudiosos que vem surgindo.

Seu espírito crítico que lutava incansavelmente para entender o país de sua época, produziu diversos gêneros literários, iniciando com obras pertencentes ao período romantismo, enveredando no indianismo e parnasianismo até surgirem as obras-primas voltadas para o realismo.

Em meio a tantos e tantos estudos e notoriedade, eis que surge o espanhol Antonio Maura, escritor e crítico literário, para defender o reconhecimento de Machado de Assis fora do Brasil, pois em seu entendimento, tudo que fizemos pelo gênio literário é pouco perto da tamanha complexidade e magnitude que com sutileza revelou a mentalidade humana. Antonio Maura diz que o escritor brasileiro é maior que Dikens, Balzac e Eça de Queiroz, mas ainda é um “grande desconhecido” fora de suas fronteiras e merecia ser reconhecido como um dos maiores escritores do século XIX.

“Em conferência no Cairo (O autor e suas máscaras: Uma aproximação de Cervantes e Machado de Assis)”, no Instituto Cervantes local, o crítico opina que até mesmo em territórios pátrios os estudos sobre Machado de Assis “não refletiram bem” sua faceta de grande crítico do sistema de sua época e da escravidão. De modo que  o cronista e poeta teve que recorrer à ironia para denunciar “na surdina” de um tema que não podia ser encarado abertamente por suas origens.

A obra exemplar é “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881), que segundo Maura, a verdadeira intenção do autor é “colocar o dedo na ferida” da sociedade e para isso se serve de uma sutil alegoria para denunciar que o morto é o próprio Brasil.

A escolha do nome do protagonista, que coincide com o início do nome do país, “não é à toa” para alguém tão “inteligente e cuidadoso com a linguagem” quanto era Machado de Assis. Para Maura, “a crítica brasileira foge” desta interpretação porque “não é fácil aceitar que seu país é um país morto ou esteve morto”.

O crítico espanhol defende que as obras que o romancista e dramaturgo escreveu depois de “Memórias póstumas”, como “Dom Casmurro” ou “Quincas Borba”, são dos livros “mais importantes de sua geração, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo”.

Segundo ele, alguns autores de língua espanhola, como Jorge Edwards, Julián Ríos e Carlos Fuentes, destacaram a importância de Machado de Assis, mas o mestre brasileiro ainda carece do merecido reconhecimento mundial.”

 Diana Conrado

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