Crítico literário, ensaísta, sociólogo, professor Antonio Cândido morreu  na madrugada do dia 12 de maio de 2017, em São Paulo, aos 98 anos. Cândido deixa três filhas: Ana Luísa, e as também professoras de História da USP, Laura de Mello e Souza e Mariana de Mello e Souza.

O corpo foi velado no Velório do Hospital Albert Einstein.

Marina diz que o pai tinha hérnia de hiato no estômago, não se sentiu bem e foi internado no sábado (06-05-2017).

Espero que a morte dele seja um momento para a sociedade brasileira pensar sobre ética, ele era um homem muito coerente com seus ideais. Eu acho que seria bonito se o Brasil pudesse colocar a mão na cabeça e lembrar da geração dele, da geração que ele representa, uma geração que prezava os valores da democracia, os  ideais e se comportava conforme valores mais amplos do que interesses pessoais e privados”, afirmou Marina.

 Ele, o autor da Formação da Literatura Brasileira, embora houvesse nascido no Rio de Janeiro em 1918, despediu-se do interior de Minas Gerais para ser notavelmente reconhecido, aprazível e premiado no Brasil e no mundo.

Especificamente no caso de Cândido por ser formado em Sociologia e manter relação estritamente à Antropologia, foi mais que um Crítico literário, e, portanto, um filósofo da arte verbal, analisando o argumento (enredo), o contexto, o discurso, as ideologias, as ferramentas retóricas, em observação do valor político, a forma, o conteúdo; o valor social, cultural, filosófico, pedagógico, histórico, e também, o valor estético.

Reconheceu talentos então desconhecidos como Clarice Lispector. Nutriu diálogos entre a Literatura Brasileira e a Universal, em especial a Europeia.

Não bastou se envolver com literatura, foi além. Quis compreender ativamente o seu país, e assim, tornou-se um pensador social e militantepolítico.

A frase de arrancada inicial de um dos seus principais livros: “A nossa literatura é galho secundário da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas.” Pode causar em alguns a crença de que se trata de um de fracassado que não conseguiu escrever uma obra a altura dos grandes escritores nacionais. E foi esse trecho do livro Formação da Literatura Brasileira, publicado em 1959, que o Mestre Brasileiro iniciou a sua glória para uma estrondosa revolução ótica na análise da Literatura Brasileira.

Como presente de despedida, Antônio Cândido, aos 98 anos, despede-se de sua Amada Pátria, com diversas obras escritas por ele e obras escritas em conjunto e também sobre ele. Àquele, que segundo ele, tímido nas palavras, porém, foi e será eternamente o espelho de Cientista Social.

Foi-se para o encontro do amigo então Oswaldo de Andrade:

“Sempre fui muito tímido; sempre achei que não sabia nada; que aquelas coisas que eu sei não interessavam a ninguém.”

 

**************************************************

Principais obras

  • Introdução ao método crítico de Silvio Romero, 1945;
  • Ficção e confissão: estudo sobre a obra de Graciliano Ramos, 1956;
  • Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, 1959;
  • O observador literário, 1959;
  • Tese e antítese: ensaios, 1964;
  • Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida, 1964;
  • Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária, 1965;
  • Vários escritos, 1970;
  • Formação da literatura brasileira, 1975;
  • Teresina etc., 1980;
  • Na sala de aula: caderno de análise literária, 1985;
  • A educação pela noite e outros ensaios, 1987;
  • O estudo analítico do poema, 1987;
  • Recortes, 1993;
  • O discurso e a cidade, 1993;
  • Teresina e seus amigos, 1996;
  • Iniciação à literatura brasileira (Resumo para principiantes), 1997;
  • O Romantismo no Brasil, 2002;
  • Um funcionário da Monarquia: ensaio sobre o segundo escalão, 2002.

 

 

 

 

 

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA